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"A dor vem, e vai"

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Se o Ludgero me ensinou algo desde pequenina, como não me canso de repetir, foi a apreciar as pequenas boas coisinhas da vida, as pequenas conquistas... bem, apreciar é pouco, a pular com estas coisas, a ficar de lágrimas nos olhos, falar delas sem fim. A celebrar a vida a cada dia! E sempre que me vou a esquecer, ele faz questão de me relembrar. Ontem, enquanto faziamos yoga, ele começou a rir. Como eu já estava a sentir os braços a arder, perguntei-lhe, "Estás a rir porquê?" "Nada!" "Tens dores?" "Um pouco." [Pára tudo! Há anos que o Ludgero se recusa a dizer que tem dor. O racicíonio na sua cabeça é este: Dor - MAU - Não queremos coisas más. - Não posso ter dor. - Não tenho dor. Então, todo este tempo, sempre que desconfiámos que ele poderia ter alguma dor tínhamos de inventar as melhores estratégias e perguntas para conseguirmos perceber, sempre só mais ou menos, o que se passa.] Fiquei parada, já surpreendida, quando o Ludgero re...

O meu (1º) Dia da Mulher

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Nunca assinalei o dia da mulher! Não queria receber flores, e chegou a parecer-me mais uma boa justificação comercial. Sentia-me longe tanto da ideia de juntar as amigas e ir jantar, como das formas de luta feministas. Eu que sempre achei que as mulheres são diferentes dos homens, e que falar de igualdade era um conceito demasiado simples num contexto tão complexo. Nunca celebrei o dia da mulher! Por tudo isso, e porque nunca gostei de ser mulher. Não era uma maria-rapaz, mas claramente que tinha mais amigos do que amigas. Não queria ter o período, não queria ter maminhas. Nunca quis ser um rapaz verdadeiramente, mas também nunca quis ser uma rapariga. Ensinaram-me que era uma menina, mas não que podia gostar de ser uma menina. E depois toda a educação cultural, e das avós, das vergonhas… Foram precisos uns anos para me aperceber disto. Foi preciso contactar com muitas pessoas, com ideias diferentes, com conceitos mais elaborados, para eu perceber: Que hoje é dia de assin...

Santiago de Compostela

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Foi apenas há 5 meses fiz o caminho português para Santiago, e já parece ter sido numa outra vida. Apesar disso, está mais presente do que nunca, talvez devido à chuva intensa e à impossibilidade de calçar as botas e fazer longas caminhadas me chegue a nostalgia, e comece a reviver a viagem.

Rural stories: torce e distorce

Sobre o morto: "Há uns anos deixou de comer carne. Ficou doente. E morreu!"

Rural Stories - Alentejo

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Alter do Chão, 29 de Agosto de 2015 Levo comigo alguns momentos e lições desta pequena viagem. Compreendo agora o romantismo em que está envolvida a minha ideia de Alentejo, de fuga e refúgio.  Quando subimos a Alter Pedroso deparei-me com uma imensidão plana de 360º, sem ouvir qualquer som, sem edifícios, apenas algumas árvores, alguns animais, pequenos lagos. Esvaziei!

Mãos de pássaro - Parte III

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A senhora disse-me que avisaram a minha mulher, e que a Rita já me vem buscar. Eu sou muito delicado com elas, foi o primeiro dia que aqui vim mas trataram-me muito bem. Não lhes decorei foi os nomes. Tenho aqui um livro comigo, algo me diz que já o li, mas não sei bem, sinto-me confuso. De qualquer forma, é muito bonito. São contos de um tal senhor chamado Luís Sepúlveda. Pela imagem parece-me relativamente novo, e vem do Chile. Não sei de onde vem o livro, mas diz na primeira folha, “Para o melhor avô do mundo, da tua neta Sofia.” Que sorte,

Mãos de pássaro - Parte II

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            Quero ser um pássaro “Pai está pronto?”, “Rita vamos fazer exames onde? Porquê?”, “Já lhe disse que são em Lisboa, e que foi o médico que aconselhou.”, “Ah, sim. Desculpa, tinha-me esquecido.” Ela murmurou algo como “desde há cinco minutos atrás”, não sabe que não se acrescenta o atrás . Não lhe vou dizer nada, está de mau humor porque me esqueci dos exames e ainda não estava vestido quando chegou. Não lhe contei que quando acordei tinha mãos de velho, e fiquei tão assustado que estive um bom tempo a olhar para elas para ver se era verdade.