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A mostrar mensagens de novembro, 2015

Mãos de pássaro - Parte II

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            Quero ser um pássaro “Pai está pronto?”, “Rita vamos fazer exames onde? Porquê?”, “Já lhe disse que são em Lisboa, e que foi o médico que aconselhou.”, “Ah, sim. Desculpa, tinha-me esquecido.” Ela murmurou algo como “desde há cinco minutos atrás”, não sabe que não se acrescenta o atrás . Não lhe vou dizer nada, está de mau humor porque me esqueci dos exames e ainda não estava vestido quando chegou. Não lhe contei que quando acordei tinha mãos de velho, e fiquei tão assustado que estive um bom tempo a olhar para elas para ver se era verdade.

Mãos de pássaro - Parte I

Mãos de velho As paredes são brancas e parecem pintadas de novo. Há um grande armário do lado direito, meio aberto, consigo ver umas calças de homem penduradas. O quarto tem duas cadeiras e uma televisão. Não me lembro de termos televisão aqui, e ia jurar que as paredes eram azuis. Vou chamar pela minha mãe, não sei para onde me trouxe. “Mãe! Mãe.” Ela não me responde, e tenho mãos de velho. Não sei porque tenho mãos de velho aos 10 anos, e não sei quem é o casal da fotografia que tenho ao lado da cama, mas a cara da mulher diz-me alguma coisa, e o homem é muito parecido comigo. Mas não é o meu pai, e aquela não é a minha mãe.