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A mostrar mensagens de abril, 2015

À escuta

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Uma voz perdida ocupa todo o espaço. Não declama não representa hesita a vida. E cores esbatidas em quadro nocturno fundem-se      trémulas já não vale existir. Sobram os poemas as madrugadas e um quarto imóvel, como nós, à escuta. Susana Anastácio @tibudo

Ainda existem marinheiros? II Memórias do Oriente

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Oriente Ai, o Oriente… Em Dili, três marinheiros num bote a largar ao tempo a saudade perdidos na muralha de coral. Por terra, à sombra de um coqueiro, na boca, ainda o sabor a mulher, esperávamos a maré passar. Macau, Timor, Austrália, E o Pacífico, a fazer de espelho ao ceú. De navio rumo a Darwin cheio de espanto num manto alaranjado, vi o mar a desovar. Oriente, Ai, o Oriente… Lá, Pesquei camarão em terra, Cacei veados no mar. Susana Anastácio O presente poema é elaborado a partir das memórias partilhadas do Marinheiro Vala, ao qual agradeço a generosidade  de as entregar sem outro pedido que o de não ficarem esquecidas no fundo de um dossiê. Foto: Pôr-do-sol no Porto de Dili (de Graham Crumb, http://imagicity.com)

O Bretão

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Mãe Pedra, Pai Rocha,  Mar Bretão. Furiosas noites de furioso rum: "Bravos marinheiros!" Uívos de arrasto de lutas no fundo do mar. Dias de orgulho, numa terra que não era sua, num pai que não viu nascer: ["Mãe, ó mãe e se eu não puder salvar ninguém?"] Inventor de línguas criador de sonhos, em terras longínquas da história esquecida. Ressuscita na seiva da planta, Aquele que no mar morreu. Susana Anastácio Abril 2015 Foto: Tempestade na Bretanha

A Arte de Saborear

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Ontem lia a Arte de Viajar , de Alain do Botton, que começa por nos dizer algo como: a viagem não vai ser tão boa quanto pensas, nada é tão bom quanto imaginas... Fechei o livro e repensei os últimos dias que passei a viajar. Tive medo do carro que apareceu durante a noite, e dos cães que insistiam em fazer visitas perto da tenda. Ainda tenho borbulhas nas pernas, por causa causa dos mosquitos, e passei mal com o sol do meio-dia. O tempo não chegou para todos os planos, e o meu corpo ainda pede mais descanso do que o normal. Todas as manhãs me sentei na mesma rocha, a entrar no rio, com os pés descalços enquanto lavava os dentes. O gesto mais banal, repetido três vezes ao dia em frente ao espelho da casa-de-banho, pareceu-me o momento mais revelador. Tentei ouvir o rio, no sentido de Siddhartha, mas é difícil calar a mente. Tirei os pés da rocha e mergulhei-os na água gelada para me aproximar da paisagem. O som da água, as cores das árvores, o quente da minha camisola...