Existe uma certa decadência
Parece existir um certo gosto pelo decadente. A ilusão de estar numa dimensão paralela, ou de fazer parte do episódio de um filme. Não faltam músicas e poemas a descrever aquele pequeno bar, de portas fechadas, mas aberto para os amigos bem para lá das horas legais, onde um grupo de pessoas alegremente alcoolizadas bebe as últimas horas da madrugada como se fossem as últimas gotas de vida. Começamos por nos sentir privilegiados por poder entrar. Depois importantes porque o dono já nos cumprimenta e chama pelo nome. E por fim, confiantes, enquanto flutuamos ao som da música, inventamos danças com os amigos e recebemos olhares de estranhos. É impossível manter a sobriedade, mesmo quando os níveis de álcool são baixos, mas por breves instantes abrem-se bem os olhos e observa-se: O dono tenta fechar a tasca, mas não resiste a por mais uma música e vislumbrar os sorrisos dos clientes mais que habituais. Sabe que não tem apenas um bar, mas a segunda, ou até primeira sala dos frequenta...