Sobre uma avó
Momentos fugazes, meros intervalos da solidão. Refeições bastas num silêncio de mortos. A vida já não é de longos passos, Espero nada, a não ser a próxima mão que me toca. Esquecem-se os dias da semana, Esquecem-se as cores do céu. As noites seguem-se aos dias, e os dias às noites, Marcados por um breve acordar, por uma casa feita de um sofá onde se adormece vezes sem conta. Espero! Nada, apenas que a dor não cresça. Espero! E se calhar desespero, Pela morte que não desejo, ou por um milagre que não vem. As letras estão desfocadas, As pessoas são sombras. Não existe música no meu mundo, Não existe som algum! Não existe quase nada. E nos outros, a esperança que o amor alegre os meus dias.