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A mostrar mensagens de maio, 2013

Eu, ao espelho

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Prazer! Chamam-me Susana Anastácio, e dizem que tenho 21 anos. Do nome gosto, quanto à idade é só um número... Quando for grande quero ser uma sereia, ou dona de uma livraria, porque adoro o mar e porque os livros nunca me deixam sozinha. Adoro andar descalça, mas o homeopata diz que faz mal à saúde. Ainda assim é com grande orgulho que conto que andei descalça em Barcelona, Lisboa, e nas minhas cidades. Danço e canto quando me apetece, mas as vezes baixinho e devagarinho, não quero incomodar ninguém. Nunca viverei o suficiente para todos os cursos que quero tirar, todos os livros que quero ler e viagens que quero fazer. Não sou muito normal, tenho picos de adrenalina e momentos de grande tristeza, mas esforço-me sempre por ser o mais feliz possível. Adoro pessoas, de qualquer tipo. Adoro crianças. Adoro a diferença e espero que o meu caminho me leve a trabalhar com ela. Quero um marido e três filhos bonitos, uma casa com vista para o mar e um cadeirão para ler...

Estações

Do ano, da vida, estações de comboio. Paragens raras ou frequentes, únicas ou gastas pelo cansaço dos dias. Estações Da fruta: das azedas laranjas, dos doces morangos, das grandes e vermelhas melancias. Estações Do metro. Estações. Vida. Quantas vidas se cruzam em todas as estações? Quantas perguntas que não se fazem, ou que ficam por responder? Nas estações frias e cinzentas, olho em volta assustada, tentando escapar das pessoas que me assustam com o seu ar sombrio, como o Inverno me assusta quando gélido entra nos meus lençóis todas as noites e me arrefece os pés. Sou das estações luminosas e de fruta madura. Com o tempo até as meras estações ganham um significado. Com o tempo esta cidade fica cheia de memórias sobrepostas, anos das maiores alegrias e de rios de lágrimas, uma adolescência tardia de emoções e pele arrepiada. Que esta cidade deixa-nos apaixonados pelo amor e pela tristeza, que dela não sai ninguém sem levar ...
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Tu não sabes, mas eu nasci no mar.

Os loucos do metro

                Não se pode sorrir, não se pode dançar, cantar, há roupas que convém não levar à rua, livros que não se devem ler, olhar para os outros é feio e apontar então, ainda pior. Pedir desculpa é raro, dizer “obrigada” caiu em desuso, e qualquer expressão que não seja uma onomatopeia é sinal de que algo não está certo com a pessoa que a pôs em prática. Ficamos todos muito sérios, desviamos o olhar, damos risos nervosinhos sempre que alguém se atreve a contrariar estas regras básicas para se andar na rua. Mesmo para dar um “Bom dia” à pessoa que todos os dias vai no autocarro, são necessários meses e meses de viagens, e algum acontecimento casual que obrigue à troca de mais de três frases.                 Perante estas e tantas outras regras que ao não serem cumpridas são um enorme atentado ao nosso conforto, um rapaz sozinho...

Os Estranhos de Lisboa

                Passear a pé, andar de transportes públicos ou ficar sentada num banco de jardim, atenta às histórias desconhecidas que me passam ao lado pode ser o exercício mais deprimente, ou divertido de um dia de cidade. Estes momentos são mais vezes acompanhados de livros de histórias que me são contadas, ou absorta na minha própria história, perdas de noção do tempo e espaço que me rodeiam (com direito a vários enganos no caminho, saídas de metro antecipadas nas paragens erradas, abraços indesejados a postes de eletricidade, durante os quatro anos que passei em Lisboa).                 Hoje, quase de partida, recordo as minhas viagens atentas ao que se passava à minha volta, criando histórias sobre os desconhecidos, fixando caras, metendo conversa com as pessoas. Muitas vezes odiei estas incursões, muitas vezes conseguia apenas...