Os Estranhos de Lisboa
Passear
a pé, andar de transportes públicos ou ficar sentada num banco de jardim,
atenta às histórias desconhecidas que me passam ao lado pode ser o exercício
mais deprimente, ou divertido de um dia de cidade. Estes momentos são mais
vezes acompanhados de livros de histórias que me são contadas, ou absorta na
minha própria história, perdas de noção do tempo e espaço que me rodeiam (com
direito a vários enganos no caminho, saídas de metro antecipadas nas paragens
erradas, abraços indesejados a postes de eletricidade, durante os quatro anos
que passei em Lisboa).
Hoje,
quase de partida, recordo as minhas viagens atentas ao que se passava à minha
volta, criando histórias sobre os desconhecidos, fixando caras, metendo
conversa com as pessoas. Muitas vezes odiei estas incursões, muitas vezes
conseguia apenas encontrar a loucura e desilusão deambulantes. Mas existe
força, e beleza, e de momentos bons e maus, diferentes e cómicos, ficam muitas
caras e tempos gravados.
Que
essas histórias deixem de ser apenas imagens na minha cabeça e se transformem
em palavras encadeadas em contos, acontecimentos ou devaneios.
22.05.2013
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