Rural Stories - O sr. Casimiro

Mudámos para a aldeia!
... a 15 minutos da cidade, 5 de um dos castelos mais bonitos do país , 21 do mar, e de outra cidade. Não é como mudar para o centro do Alentejo, mas é uma aldeia.
A nossa casa na aldeia tem uma particularidade: uma barbearia incorporada.
Sim, um dos quartos tem uma porta para a rua em vez de uma pequena janela, e todos os sábados, o meu pai (citadino), vem até à aldeia cortar cabelos e fazer barbas. Não só temos uma barbearia incorporada, como temos a única barbearia da aldeia.
No último sábado decidimos almoçar na rua, bem cedo, antes dos clientes começarem a chegar. Pus a mesa, e quando voltámos com a comida pronta o Sr. Casimiro estava a entrar portão adentro, uma hora adiantado.
"Boa tarde, menina! É a filha do barbeiro? A neta do Zé da Serra, não é?"
Sou sim, nesta terra serei sempre a neta do Zé da Serra, que cresceu no meio da serra, sem pai e sem sapatos.
"Eu vim devagarinho, que estou coxo de uma perna. Mas lá vim. E vim cedo, porque quero ser o primeiro. Tenho de voltar para casa, deu uma doença ruim à minha mulher, nos miolos, e agora está maluca coitadinha. Foge de casa e tudo.
Sabe, sou o homem mais velho desta terra, e tenho o casamento mais antigo desta terra, 67 anos casado. Quando era novo, não tinha nada..."
Tivemos direito a história para o almoço. O sr. Casimiro ficou sentado em cima de uma caixa ao alto, porque uma das suas pernas não dobra. E também já não ouve muito bem, porque não respondeu a nenhuma das nossas perguntas. Falou como quem fala para dentro, como quem vai esperando a morte devagar, (confessou).

Mudámos para a aldeia, e há muitas histórias para contar.

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