Passear a pé, andar de transportes públicos ou ficar sentada num banco de jardim, atenta às histórias desconhecidas que me passam ao lado pode ser o exercício mais deprimente, ou divertido de um dia de cidade. Estes momentos são mais vezes acompanhados de livros de histórias que me são contadas, ou absorta na minha própria história, perdas de noção do tempo e espaço que me rodeiam (com direito a vários enganos no caminho, saídas de metro antecipadas nas paragens erradas, abraços indesejados a postes de eletricidade, durante os quatro anos que passei em Lisboa). Hoje, quase de partida, recordo as minhas viagens atentas ao que se passava à minha volta, criando histórias sobre os desconhecidos, fixando caras, metendo conversa com as pessoas. Muitas vezes odiei estas incursões, muitas vezes conseguia apenas...
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