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Mãos de pássaro - Parte II

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            Quero ser um pássaro “Pai está pronto?”, “Rita vamos fazer exames onde? Porquê?”, “Já lhe disse que são em Lisboa, e que foi o médico que aconselhou.”, “Ah, sim. Desculpa, tinha-me esquecido.” Ela murmurou algo como “desde há cinco minutos atrás”, não sabe que não se acrescenta o atrás . Não lhe vou dizer nada, está de mau humor porque me esqueci dos exames e ainda não estava vestido quando chegou. Não lhe contei que quando acordei tinha mãos de velho, e fiquei tão assustado que estive um bom tempo a olhar para elas para ver se era verdade.

Mãos de pássaro - Parte I

Mãos de velho As paredes são brancas e parecem pintadas de novo. Há um grande armário do lado direito, meio aberto, consigo ver umas calças de homem penduradas. O quarto tem duas cadeiras e uma televisão. Não me lembro de termos televisão aqui, e ia jurar que as paredes eram azuis. Vou chamar pela minha mãe, não sei para onde me trouxe. “Mãe! Mãe.” Ela não me responde, e tenho mãos de velho. Não sei porque tenho mãos de velho aos 10 anos, e não sei quem é o casal da fotografia que tenho ao lado da cama, mas a cara da mulher diz-me alguma coisa, e o homem é muito parecido comigo. Mas não é o meu pai, e aquela não é a minha mãe.

6 meses

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Há seis meses estava deitada numa cama a ver a enfermeira preparar as agulhas e a pensar que ia doer. Ignorava completamente todo o processo, tinha deixado os meus pais e o meu namorado no corredor, a minha mochila estava num cacifo do hospital, e a enfermeira dizia que não custava nada. "Não custa nada. Só preciso de respirar devagar e profundamente."

Rural stories

Lá por ser a sério, não temos de estar sérios :) Que a felicidade não dependa do tempo, nem da paisagem, nem da sorte, nem do dinheiro. Que ela possa vir com toda simplicidade, de dentro para fora, de cada um para todos. Que as pessoas saibam falar, calar, e acima de tudo ouvir.
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Esperam-na (como todos os dias) O banco de madeira E as nove sacas (não gosta do número par). Atenta na hora certa, Ainda noite de chá na mão, Acalma as dores Do movimento mecânico. (Tem dedos grossos Sempre enrugados) Senta-se, Tira a navalha do bolso do avental

Chama-se "Viver e deixar viver"

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Dizem que é a experiência que nos ensina. Nunca fui uma criança ou adolescente muito influenciável, ainda assim, uma postura desafiadora levou-me a ver muitos dedos apontados, e a surgir em mim a necessidade de aceitação. Recordo as mais variadíssimas críticas, que todas juntas eram capazes de destruir grande parte da confiança infantil que se traz até determinada idade.

Eles - Mia Couto

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Eles Desde que chegaram ficou sem repouso a baioneta e os chicotes tornaram-se atentos e sem desleixo Lançaram fogo à dolorida geografia esquartejando montanhas secaram fontes e rios na memória dos seus crimes se anichou a seta da vingança