Chama-se "Viver e deixar viver"
Dizem que é a experiência que nos ensina. Nunca fui uma
criança ou adolescente muito influenciável, ainda assim, uma postura desafiadora
levou-me a ver muitos dedos apontados, e a surgir em mim a necessidade de
aceitação. Recordo as mais variadíssimas críticas, que todas juntas eram
capazes de destruir grande parte da confiança infantil que se traz até
determinada idade.
Começamos a querer ser perfeitos, fazer com que as críticas
cessem, venham os elogios, ou pelo menos que não venha nada além do silêncio. Ainda
não sabia nessa altura, que com 5 quilos a mais as pessoas nos dizem que estamos
gordas, e quando perdemos 3 desses 5 quilos, se viram para nós de olhos
esbugalhados e nos perguntam se estamos doentes, porque estamos feias de
magras. Não sabia até que ponto as críticas poderiam ir, e que o peso de uma
adolescente é só a ponta do icebergue.
Já queria ser perfeita, mas restava uma questão: ía ser
perfeita para quem? Sim, para que ideal de perfeição? O da tia beata, o do
amigo rebelde, da amiga materialista, do tio rígido, etc. Somam-se os que nos
rodeiam com a sua fórmula mágica para a salvação, a perfeição, a felicidade.
Sem saber o que fazer, é fácil ser uma bola de ténis de um
jogo a pares, mas de 10 equipas. Da decisão A, ao ponto B, à atitude C, tudo à
mistura com o “eu” que não se apaga, não se apagou nunca. Curioso como passado
um tempo percebi que mesmo fazendo todas as escolhas de acordo com o livro de regras
de determinada pessoa, nunca era boa o suficiente, as críticas não cessavam e o
silêncio não chegava, e que tal se repetia com qualquer dos peões do jogo que ia
escolhendo. Nunca é suficiente, nunca somos bons, nunca estamos bem perante dos
olhos daqueles que têm as fórmulas, a verdade dentro de si.
Até que pensei: mas será que se importam com o que penso
da forma como regem a sua vida? Será que alguma vez questionaram os seus atos, tantas vezes em desacordo
com as suas palavras? Será que alguma dessas pessoas vive de bem consigo
própria?
Sempre tive uma vida rodeada de pessoas detentoras da
verdade (felizmente a casa onde fui criada não é assim), e continuo a tomar
decisões que as desafiam. O problema que pode ser quando alguém decide não
comer mais açúcar, mesmo que isso seja pela sua própria saúde. E sim, já
conheço todas as teorias sobre a importância do açúcar em resposta ao “não
obrigada, não quero açúcar.”
Viver e deixar viver. Não comer açúcar, mas deixar comer. Todos
somos detentores de uma opinião, todos achamos que é melhor assim do que assado
ou cozido, e eu nem gosto de fritos, todos podemos viver com ela, sem termos de
a tentar espetar à força na cara dos outros.


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