River stories: Su arrive à France
Tudo começou numa
longa viagem de 24 horas que se esperava miserável, terrível,
sofrida. “Só tu, Susana.” diziam os que melhor me conhecem, “Ir
de avião era demasiado normal?” Bem, sim, mas foi tudo por uma
questão de euros desta vez, e a viagem foi fantástica. Os quatro
meses em que todos os dias passava 4 horas em transportes públicos
tornaram a longa viagem num momento de descanso, de calma, meu.
Cheguei, demasiado
cedo, ou não seria eu.
Tudo começa a
desenrolar-se: um almoço, a sesta no meu novo quarto, o jogo de
poker, a primeira sessão de skype com os pais, dormir, acordar,
apanhar amoras, aprender um novo jogo, caminhada, mais jogos, mais
festa, mais amigos.
Por algum estranho
motivo tudo me é familiar: a cama, o carro, os espaços. O francês
sai arranhado, mas é agradável de ouvir. A única coisa com a qual
não consigo lidar é a música que passa na radio, um dia destas
irei certamente levar com o Justin Bieber, e questionar-me pela milionésima vez: “Não era para França que vinham os portugueses, para conhecerem o ponto alto da cultura europeia?”, não sei bem
onde ficou a parte musical, mas todos os dias me doem ligeiramente os
ouvidos e a alma. Ainda assim e como sempre, é aquela música da
Rihanna que odeio que sei de cor, enquanto luto há três anos para
decorar a minha canção preferida.
As pessoas.
(Acrescentar à lista de agradecimentos diários as fantásticas
pessoas que me rodeiam aqui). As pessoas são a parte mais
importante, porque me fazem sentir entre amigos, porque me fazem
sentir bonita, porque cantam e dançam, partilham segredos, e
porque esperam que eu encontre a palavra francesa para me exprimir, e
arranham o que podem no inglês para me ajudar.
Os miúdos. Hoje
fiquei pela primeira vez sozinha com os miúdos: obedecem quando lhes
apetece, testam-me a maior parte das vezes; mas vão-se aproximando.
E eu fico com um pé atrás, amanhã é dia de arrumar o quarto, e
não quero elevar as expectativas.
O rio. Nunca
substituirá o oceano, mas tento lembrar-me das palavras sábias de
Sidharta. Um dia irei falar com o rio, tal como falo com o mar, nesse
dia conto-vos o que ele tem guardado para me dizer.
Nunca soube porque
tinha de vir para aqui, mas segui o instinto e Gien sabe-me bem. Tudo
isto está correcto, é só mais uma parte do caminho, só mais uma
parte da aventura. E como é bom libertar-mo-nos das amarras e seguir
o caminho dos loucos.
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