River stories: Desventuras

O objectivo é fazer ou visitar algo novo todos os fins-de-semana, o que não estava nos meus planos era que todos os meus planos resolvessem não funcionar.


1º fim-de-semana: Sully

Carro novo, depósito novo - meto a chave e o depósito não abre. Olho para as horas, "Já devíamos estar a caminho!" Volto a tentar e nada. Antes de ir a casa pedir ao pai da host family para me ensinar a abrir o depósito, aposto em como em três segundos ele o vai abrir.
Afinal era só fazer força, e lá partimos.

2º fim-de-semana: Briare

Depois de uma noite de ócio em frente à televisão, é difícil pôr as pernas a trabalhar, mas a promessa do melhor chocolate quente de França põe-nos a mexer. Quando chega a hora de sair de casa, o Puky, o cão surdo e meio cego da host family resolve andar 20 minutos a correr a volta do carro, e fugir do quintal.
Mais uma vez é hora de por gasolina, e como a dor na carteira não é suficiente, ainda me consegui enganar e por a gasolina errada.

3º fim-de-semana: Orléans

Antes de sair com o carro do quintal digo: "À terceira é de vez, nada pode correr mal."
Desta vez parecia que tudo ia funcionar, um rapaz simpático ajudou-nos a ver os horários dos eléctricos para a "Pousada da Juventude", o senhor do autocarro ajudou-nos a encontrar a saída, e facilmente descobrimos o nosso poiso para a noite.
"Vou tomar um grande banho." Digo eu, enquanto a Zoe se prepara para uma sessão de beleza, assim que chegarmos ao hostel.
Chegamos ao hostel, e a porta está fechada. Penso que não há problema, enviaram-me os códigos para abrir a porta, e tenho-os comigo no telemóvel. Abrimos a porta, entramos, e não há ninguém. Subimos a escada e encontramos o seguinte recado: "Hoje devido ao Festival de La Loire a Auberge de Jeunesse fecha as 13 horas (eram 16.30)."

Lá estou eu, em França, numa cidade nova, de mochila as costas, a percorrer o hostel onde reservei dois quartos, mas sem sítio para dormir. Por vingança usámos a casa-de-banho e pesquisámos todos os recantos, enquanto procurávamos uma solução.

Acabámos por ficar numa casa de estudantes de Design, bem no centro da cidade, lindíssima, com dois grandes e confortáveis sofás à nossa espera. Mostraram-nos a cidade, com os 16 euros que pagaríamos pelo hostel jantámos num restaurante de fondue, fomos ao festival, e dormimos até ao meio-dia, com direito a café, pequeno-almoço e horas intermináveis de conversa. Fomos convidadas a voltar, e temos uma interminável lista de boas razões para o fazer.

O meu host pai está zangado comigo porque eu fiz couchsurfing, mas eu não poderia estar mais contente. A meio disto tudo, eu e a Zoe resolvemos desistir dos planos e deixar-nos ir. Não podíamos ter tido mais sorte este fim-de-semana, e ele não poderia ter sido melhor.

Orléans é uma cidade lindíssima, cheia de pessoas bonitas, onde dancei e sorri imenso.

A minha vida é um filme cómico em constante rodagem, mas talvez as coincidências não existam mesmo.

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